Histórias

O Zambujal nas memórias paroquiais de 1758

A 18 de Janeiro de 1758, Sebastião José de Carvalho e Melo, fazia remeter, através dos principais prelados, e para todos os párocos do reino, os interrogatórios sobre as paróquias e povoações pedindo as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas, e administrativas, para além da questão dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755. Estamos perante as Memórias Paroquiais.
"Apesar de a exaustividade das respostas não ser constante, apresentam-se, na generalidade, de forma sequencial aos pontos do interrogatório (que está dividido em três partes relativas à localidade em si, à serra, e ao rio) fornecendo dados de carácter geográfico (localização, relevo, distâncias), administrativo (comarca, concelho, dimensão, e confrontações), e demográfico (número de habitantes), sendo possível obter informações sobre a estrutura eclesiástica e vivência religiosa (orago, benefícios, conventos, igrejas, ermidas, imagens milagrosas, romarias), a assistência social (hospitais, misericórdias, irmandades), as principais actividades económicas (agrícola, mineira, pecuária, feira), a organização judicial (comarca, juiz), as comunicações existentes (correio, pontes, portos marítimos e fluviais), a estrutura defensiva (fortificações, castelos ou torres), os recursos hídricos (rios, lagoas, fontes), outras informações consideradas assinaláveis (pessoas ilustres, privilégios, antiguidades), e quais os danos provocados pelo terramoto de 1755", lemos na ficha da Torre do Tombo.
As Memórias Paroquiais dão um retrato do País, das freguesias, das localidades. Não há razão para crer que as respostas fossem falsas, pese embora a necessidade de manter um olhar critico.
As Memórias Paroquiais referentes a São Julião do Tojal contêm diversas referências ao Zambujal. São essas que vou destacar, pese embora, existam respostas gerais que englobam, necessariamente, o Zambujal.
Na pergunta cinco, do primeiro núcleo de questões, vem a caracterização da terra. "Tem a freguesia o lugar chamado Tojal em qual está a freguesia situada e outro chamado Zambujal. Este tem trezentas e trinta e oito pessoas e o Tojal trezentas pessoas". Primeira constatação: o Zambujal tinha mais gente que a "sede" da freguesia onde existia, diz o pároco, "uma casa para recolha de peregrinos". Trata-se do edifício que fica em frente à igreja, do outro lado da estrada.
Na pergunta 13, referente à estrutura religiosa, é referido que "há nesta paroquial freguesia a ermida do Espirito Santo, que está defronte da freguesia (...) e a de nossa Senhora do Monte Carmo a qual mandaram erigir os padres vicentinos (...) aos moradores do Zambujal no qual lugar está (...) a citada ermida". Confirma-se a existência uma ermida, dedicada a Nossa Senhora do Monte Carmo. De referir que encontrei na Torre do Tombo, um documento de 1786, referindo a Irmandade de Nossa Senhora do Monte Carmo no Zambujal. Ou seja existiu, durante anos, uma estrutura religiosa organizada.
Na pergunta 16, sobre organização judicial, é referido que "há dois juízes nesta freguesia. Há um do lugar do Tojal outro no Zambujal, ambos sujeitos ao Juiz do Crime do bairro de Lisboa". Se tiverem presente o texto que publiquei sobre o Julgado do Zambujal, com data de 1822, significa que durante cerca de 70 anos existiu juiz no Zambujal.À pergunta 26, sobre os danos do terramoto, é dito que "(...) no lugar Zambujal não houve ruína alguma, o frontispício da igreja e o átrio ruinaram, mas estão reparados". Isto ao contrário de S. Julião. Talvez o local onde se situa o Zambujal tenha ajudado a que o terramoto não tenha sido tão sentido. Mas, o mais importante, é reafirmar a existência de um espaço religioso que não foi afectado pela calamidade. Quer dizer que desapareceu por outras razões.
No capítulo referente aos rios, serras, etc, logo na pergunta 1, é afirmado que existe "uma serra chamada Zambujal e outra Pinheiro. A serra do Zambujal tem de comprimento mil léguas e de largura mais de quarenta (?) léguas". Na pergunta 5 é referido que "não há lugar algum nas ditas serras, excepto na do Zambujal onde está a povoação do Zambujal". Porquê aqui e não em outra zona da serra? O que levou a esta fixação de pessoas?
A Memória Paroquial de São Julião do Tojal tem data de 9 de Abril de 1758 e é assinada pelo pároco, se bem identifiquei, António Luiz da Costa. Sabemos então quem era o responsável da paróquia.
Apenas esta meia dúzia de referências ao Zambujal são por si só ricas de informação mas, principalmente, levantam um conjunto de interrogações. Se a estas associarmos outras respostas mais abrangentes ficamos com uma visão de conjunto do Zambujal nos idos anos de 1700.

Zambujal - CADERNOS da terra
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